Do que tenho visto no quintal: as últimas mangas, novas acerolas tímidas, as folhas das mangueiras a virar adubo, a horta crescendo devagar, o galho quebrado do pé de seriguela se multiplicando em novos galhos, raízes e vida. E cigarras, tantas cigarras. Há uma galeria de suas múmias, exosqueléticas metáforas. Zé acreditava que elas cantavam, cantavam, cantavam até pocar. Achei curioso e trágico, mas também intenso e belo: cumprir a missão, a despeito do resultado fatal. Aquele "apesar de" lispectoriano . Descobri, entretanto, que era apenas transformação, que elas deixam suas cascas secas e marrons, renascem verdejantes e seguem com a cantoria aos crepúsculos. Assim segue a orquestra afinada desse quintal, entre bodes, sapos, pássaros, cães, ânsia de gritos, silêncios e transformações.