Finalmente esse post saiu. Pra quem não sabe,queríamos criar até um blog pra ir atualizando a família e amigos próximos sobre a primeira viagem de Márcia “Fofi” Guimarães ao continente Europeu. A verdade é que subestimamos o poder do cansaço,e o poder da FELIZ falta de tempo de ficar na internet. Aí pensamos:“vamos tirando fotos,anotando uma ou outra coisa num rascunho,e quando chegarmos em Paris —onde passaremos mais tempo —a gente finalmente posta”. Aí,no primeiro dia em Paris,o que aconteceu? O carregador do computador deu um pipoco,desligou metade da eletricidade do apartamento,e parou de funcionar. Pois é. Assim,convido vocês a saborearem um pouquinho da nossa aventura a la anão-de-jardim-de-Amélie-Poulain-versão-tabuleiro-da-baiana,mesmo com TANTOOOO atraso. A gente bem tem umas estorinhas engraçadinhas pra contar,outras nem tanto.
Encontrei com Fofi no aeroporto de Paris Orly,depois de ter aguentado um layover de mais ou menos 10 horas. Foi bem difícil ficar acordada,mesmo depois de cafés,red bulls e etc. Só tinha dormido por umas 3 horas na noite anterior,e vinha de duas semanas de trabalho intenso e com poucas horas de sono por noite. Andei pelo aeroporto o tempo todo,pra evitar pegar no sono. Mais ou menos uma hora antes do vôo de Márcia chegar,dei uma sentadinha e,claro:cochilei. Tudo bem que amarrei meus pertences nas pernas,por vias das dúvidas. Finalmente Fofi chegou, e começou a nossa aventura rumo ao fabuloso destino continente europeu (com uma pausa pré-embarque para um expresso francês com biscoitinho português)…

OSLO
Nossa primeira parada foi na geladeira,também conhecida como Noruega. Fomos visitar M.M.,small and furious, aquela que é nossa prima embora talvez não seja de sangue (mas a gente ainda vai acabar descobrindo que somos parentas de décimo primeiro grau,Celsius e Fahrenheit). M.M. = Marina Martinelli,também conhecida como esposa de Zé,também conhecido como Eystein Veflingstad,também conhecido como o homem do café da Etiópia. Além de gourmand,connoisseur,especialista em café,Zé é um marido lindo e carinhoso,e foi pegar a gente na chegada já falando “vixe”. Baiano,como vocês podem ver —embora norueguês. O irmão de Zé,carinhosamente apelidado de João,é a fuça de Hugh Grant —garotas,canditatem-se para a nossa próxima visita a Oslo,indicaremos as passagens mais baratas e apresentaremos Hugh.
Marina tem sido minha amiga virtual desde 2005/2006,se não me engano. Ike Richardson achou que eu gostaria muito dela e ela de mim,e resolveu que o MSN era um bom lugar para fazer a mútua apresentacão. Eu não sei se ela gostou tanto assim de mim,porque vira e mexe ela quer me enlouquecer com uns vídeos de Kátia Cega,Cid Guerreiro e afins, mas eu gostei muito muito dela…então a verdade é que resolvemos ir pra Oslo justamente pra dar essa primeira afofada em Marina,porque quando ela vai pra Bahia eu não vou,e quando eu vou ela não vai,ficamos sempre fugindo uma da outra. Ela e seu viking nos receberam com todo o carinho,e foi tão lindo ver o pôr do sol às DEZ DA NOITE junto com o belo casal! Sim,em Oslo o sol só se põe quando ele tem sono,o que na primavera é bem tarde. Segundo os posts mais recentes de Marina,ele só tem sentido sono às 2 da manhã. E cedinho já tá de pé. Insone,tadinho.
Aos desavisados que queiram dar uma passadinha em Oslo,preparem o bolso:Oslo é uma cidade meio cara. Ok,né meio não,é cara MESMO,principalmente pensando em real! Abolimos o real dos nossos cálculos para não cair em depressão,mas vira e mexe a gente tava tentando saber quantos euros eram tantos “dinheirinhos”(nosso apelido carinhoso para a moeda norueguesa). Acho que Marina ficou com pena do nosso bolso e deu logo de presente um cartão de transporte pra cada,que usamos todos os dias e servia para todos os meios de transporte público CIVILIZADOSSSSSSS dessa nação,de trem/bonde a ferry. Experimentamos todos,é claro. Márcia entrou em depressão,fazendo constantes comparações com o transporte público de Salvador,e acho que nem anos de terapia lacaniana,junguiana,ou chá do daime vão curar a bichinha.
É bom lembrar que chegamos em Oslo na noite anterior ao carnaval da Noruega (well,na verdade era o National Day,Dia da Independência,ou algo assim). Em comemoração,Zé fez um café da manhã super especial:waffles em forma de coração (!!!),com coberturas nas cores da bandeira norueguesa —géleias de morangos silvestres e mirtilo,e creme azedo. Teve também suco de laranja feito na hora,café da Etiópia,e um tipo de queijo marrom,Brunost, que é a coisa mais estranhamente deliciosa que a gente experimentou por lá. O Brunost é como se fose um queijo de doce de leite…pois é,pire aí?! Queríamos muito ter contrabandeado alguns,mas nossa consciência vigilante sanitária não permitiu.
E depois desse banquete fomos dar a volta no Guêto na festa de rua de Oslo!! HIP HIP HURRA! Os homens saem todos engravatados,as mulheres todas super arrumadas com uma vestimenta típica que custa os olhos da cara. Demos tchauzinho pro rei e pra rainha,que pediram bis na hora da nossa coreografia. HIP HIP HURRA! Vimos trios elétricos!!!! Vimos as fanfarras do Dois de Julho! Gente,tem Caminhada Axé em Oslo e vocês nem sabiam! HIP HIP HURRA! (o povo ficava gritando isso durante o desfile das fanfarras,era o máximo de barulho que faziam).
Almoçamos num restaurante muito legal,onde tudo era meio orgânico,e muito delicioso. Meio caro,como tudo em Oslo. Mas tudo uma delícia mesmo. FANTÁSTICO,para usar a palavra favorita de Zé.
E nos outros dias ficamos naquele esquema turista mesmo,indo pra museu. Todos os museus em Oslo são pagos,fiquem sabendo —bem,pelo menos nessa época do ano,e pelo menos os que a gente visitou. Começamos pela National Gallery,e no mesmo dia corremos para usar o mesmo ticket que valia para entrar no Museum of Contemporary Art (tínhamos mais ou menos uma hora pra percorrer esse último,mas foi o suficiente e muito legal). Fomos também no Parque das Esculturas,que é uma coisa linda. Mas nada nada nada se comparou ao Folkemuseum,que foi uma experiência completamente diferente! Passamos seis horas nesse lugar que é um museu ao ar livre,numa espécie de fazenda em que estão concentradas mais de cem construções/habitações tradicionais de todas as regiões da Noruega. É uma amostra real (já que todas as construções são originais,embora transplantadas para esse único sítio) de como as pessoas têm vivido na Noruega desde 1500 até os dias de hoje. Há também uma igreja,toda de madeira e sem pregos,que data do ano 1200! FANTÁSTICO!
Vale lembrar que comemos o VERDADEIRO bacalhau da Noruega! Feito por um N-O-R-U-E-G-U-Ê-S. Sem ser salgado,porque a gente num é cachorro! (bacalhau seco,segundo Zé e Marina,é comida de cachorro —vendido em pet shop). Vale lembrar também que passamos uma noite inteira insistindo na teoria de parentesco entre os Serra e os Magalhães,falando no Skype com os tios Serra (entrevistando o tio Ordep que é Pedro ao contrário e vendo tia bebendo suco de abacaxi com cachaça). No final só descobrimos que titio Ordep estudou com titio Themistocles,e nada mais. Mas não desistiremos…
And last,but not the least,vale lembrar que compartilhamos também da presença de Xande em Oslo! Não,o Harmonia do Samba não estava em Oslo,mas o nosso queridíssimo Alexandre Campbel,que também mora na geladeira,foi lá em Oslo ver a gente e compartilhou de HORAS de caminhadas nos museus,picnic,ventanias,conserto de mala e corridas estressadas para que não perdêssemos o avião pra Londres —na verdade,pra não perder o buzu que ia levar a gente de Helsfyr (literalmente “fogo dos infernos”) até o aeroporto. Ô diaaaaaa! Ô diaaaaaa!Ô diaaaaaa! Lei de Murphy é nossa amiga (ou não!) —tudo que tinha pra dar errado nesse dia,deu:quebrou mala,trem atrasou,Fofi esqueceu casaco,lemos o cartão de embqarque errado..tudo,tudo ,tudo que podia acontecer pra atrasar a gente,aconteceu. Mas Xande tava lá pra ser nosso anjo da guarda,e no final deu tudo certo. E se teve uma coisa que deu certo foi o fato de servirem um vinhozinho argentino pebinha no avião —porque depois da tarde de caos,a gente merecia ficar com um tintin no avião.
Bye,Oslo…(quer ver fotos,né? AQUI!)
LONDRES
Chegamos no aeroporto de Londres e,pra nossa surpresa,não tivemos problema algum no passport control. Tudo rapidinho. A demora mesmo foi do taxista do leste europeu . Além de ter atrasado quase meia hora,chegou e ligou pro meu celular —que até então não funcionava —e ficou repetindo “departure”e eu só entendia “outside”;já tava perdendo a paciência,porque “outside”a gente já estava há muito tempo,mas ele queria mesmo é que a gente fosse pro lado de fora do andar de cima,que era o andar de “departure”. Ele já no desespero dizendo “police is coming,please come,departure”,e eu ainda confundindo “departure”com “outside”,por conta do sotaque. Mas em algum momento a gente se entendeu. Fora gastar mais 25 dinheiros da rainha (dessa vez rainha inglesa),foi tudo bem pra chegar em casa. Mas nossos anfitriões Ike e Déa,que nem gostam de beber,estavam ainda no pub tomando umas. Coisa de cinco minutos e eles chegaram,acompanhados de Renato (vulgo Meleca) que tinha acabado de chegar de Madrid com um vinho espanhol que,CLARO,a gente matou —assim como outro vinho da casa,e cerveja da rainha,e cansaço e o vinho que já tinhamos tomado no avião pra relaxar do stress da corrida de São Silvestre até o trem de HELSFYRRRRRRRRRRRR até o aeroporto de Oslo. UFA! Mas ó,vou dizer pra vocês…aliás,nem vou dizer muito não porque ficamos com amnésia etílica. Mas buscando nas catacumbas da memória lembramos de uma conversa pseudo-freudiana-pagodística que comparou o sutiã de Madona a símbolos fálicos e coisas do tipo. Pois é,sintam o nível da conversa de bêbado. Capotamos! Acordamos todos ainda meio bêbados e com uma certa vontade de MORRER! Mas não se pode morrer com fome,né?
Fomos tomar um café da manhã inglês…quer dizer,um brunch,pois já era quase meio-dia. Coisa leve:hamburguer gigante,ovo com feijão,bacon,abacate,a porra toda. Um café inglês meio mexicano,algo assim. Não entendemos direito não,porque culinária inglesa é meio…hmmm,inexistente. Matamos a fome,é o que importa. E Sherlock Holmes nem apareceu pra resolver esse caso de assassinato pós-etílico.
Andréa colocou a máscara dela de Julia Roberts,e partimos para Noting Hill (ok,mentira,ela não colocou máscara nenhuma não,porque Dea é muito mais gata,mas ia ser engraçado). O dia tava lindo. E a caminhada em Noting Hill era uma mistura de Feira de São Joaquim LIMPA,quermesse,feira hyppie,exposição do Instituto Mauá,vovozinha vendendo bugigangas,Mercado Mundo Mix,Playing for Change,e coisas afins. Tudo com sotaque britânico…e indiano,mexicano,italiano,paquistanês,espanhol,português de Portugal e brasileiro (encontramos uns cinquenta mil brasileiros numa só tarde). Gostei muito do passeio,e finalmente tomamos um sorvetinho nessa viagem.
Depois fomor ver a roda gigante (que eles preferem chamar de London Eye),o Big Ben,o Palácio da Rainha com os soldadinhos de chumbo. Não aguentávamos mais andar,diga-se de passagem. Mas o dia tava lindo,e em Londres nunca se sabe…tentamos aproveitar o dia de sol ao máximo.
No segundo dia fomos ver a divisão do mundo,Greenwich line. Póin! Bota um pé de um lado,leste;do outro,oeste. Cabou! Tinha mais nada pra fazer lá não. Inclusive,a rainha sacaneou a gente e queria cobrar 10 dinheirinhos só pra pisar direito na linha. A rainha tá em débito,tadinha,depois de gastar com os bem-casados;ouvimos falar que a bichinha abriu até um crediário na IKEA. Não pagamos nada não,e fomos embora pra tomar sidra (que na verdade é uma cerveja muito da deliciosa),ver a London Bridge,Brick Lane e seus hypsters,e comer comida indiana. Meleca,tadinho,se lenhou com a comida indiana. Pediu o “special of the house”,e deram a ele uma tigela de pimenta. É,quase assim…aquilo não era um prato de comida,era uma tigela de pimenta. Até agora não identificamos qual era realmente o conteúdo do prato,porque a pimenta não deixou. O bichinho suou até pelo couro cabeludo. Ah,esqueci de dizer que nessa rua há na verdade uma FILA de restaurantes indianos,um colado no outro,e você praticamente não escolhe o restaurante,eles é que FORÇAM você a entrar,esquema Baixa dos Sapateiros em véspera de feriado. Uma comédia!
No terceiro dia fomos ao Tate Modern,onde rolava uma exposição de Miró (quem não tem Barcelona,caça com Londres). Linda linda exposição,muito bem dirigida. Demos uma passadinha no Teatro de Shakespeare —sem graça demais,e ainda cobram uns 13 dinheirinhos pra entrar —pensamos por um segundo “To pay,or not to pay…” e saímos. Shakespeare que nos perdoe.
Passamos pela Catedral de St. Paul e temos o seguinte comentário a fazer:caros administradores de igrejas de Salvador,favor cobrar 15 dinheirinhos pros gringos verem nossas igrejas —a rainha em Londres faz isso,vamos copiar essa tendência. Resultado:olhar de fora não paga,e a catedral é realmente bonita,gigante. Descobrimos que em horário de missa não paga,aí já estávamos tentando aprender o Pai Nosso em inglês,mas acabamos desistindo e partimos pro Museum of London. Começamos por uma exposição meio “feira de ciências”que já estava me dando nos nervos,e quando começou a ficar bom (era moderna,com várias seções interessantes) era hora de fechar e colocaram a gente pra fora. PRA FORA! Mas tudo bem,tínhamos que encontrar Ike e Andréa para ir a um restaurante argentino (num tô dizendo que Inglaterra não tem culinária própria?).
Obviamente,meu celular tem que descarregar no dia que mais preciso dele:a gente não sabia onde era o restaurante,nem mesmo o nome dele. Resultado:ficamos os 3 espremidos numa cabine vermelhinha de telefone (porque tava um frio da porra!),e depois do telefone público engolir 1 dinheirinho real conseguimos explicar a situação rapidinho a Ike,e deu tudo certo. Fomos pro “El Gaucho”(thanks,Suggar Daddy Ike),pedimos comida demais,passamos num pub com cheiro de cordão cheiroso (pois é,não é só avião de Oslo que cheira a pum),e voltamos pra casa tremendo na noite mais fria da nossa estadia em London,London.
E Assis!!!! A noite terminou com Assis!!! A caminho de casa,passamos no mercado pra comprar umas coisinhas gostosas,pois o plano era acordar Ike para um café da manhã de aniversário,antes dele ir trabalhar. Chegamos em casa,combinamos de acordar 6 da manhã pra preparar o café,mas nossos planos foram por água abaixo depois de uma ilustre visita:um ratinho no quarto do aniversariante. Aniversariante este que,contrariando todas as expectativas,tem pavor de rato (não que alguém tenha paixão por ratos,claro). Já era tarde,gastamos quase umas duas horas nessa agonia de procurar o rato,todo mundo já tinha ficado meio cansado e Ike tinha que ter tempo suficiente pra dormir antes de ir pro trabalho,então cancelamos o café da manhã very especial,e dormimos os CINCO na sala de estar. E Assis,pra matar sua curiosidade,é o nome do rato apenas por uma questão de cansaço e confusão linguística;enquanto discutíamos se AS CINZAS do vulcão islandês iriam afetar o horário dos nossos vôos,Andréa,sonolenta,ouviu AS CINZAS mas escutou ASSIS,e largou “Oxe,o nome do rato agora é Assis,é?”. E depois de muitas gargalhadas,Assis foi batizado e fomos dormir. Meleca foi embora bem cedinho de manhã,eu e Márcia dormimos bastante e só saímos quase no meio da tarde,direto pra ver a exposição que a gente realmente queria ter visto ontem no Museum of London,que era uma exposição sobre street photography.
E à noite fomos comemorar o aniversário de Ike,é claro! Preciso finalizar dizendo que Ike é uma das pessoas mais engraçadas do mundo,e casou com uma linda comediante também. A gente se divertiu demais,demais,demais estando com eles. E estar com a família,onde quer que seja,é sempre bom.
Na manhã seguinte partimos cedinho para Amsterdam,lembrando que a mala de Márcia resolveu voltar a funcionar como devia. Go figure…
AMSTERDAM
Martine,companheira de nosso querido primo Quint,foi buscar a gente no aeroporto. Teve que esperar um pouquinho,tadinha,porque o passport control resolveu tirar onda com nossa cara em Amsterdam,of all places! (achamos que isso aconteceria em Londres,não em Amsterdam). Depois de muitas perguntas repetidas em ordem diferente,comentários sarcásticos sobre o fato de termos amigos e família pelo mundo (pois é,creia!),questionamentos sobre quantos dinheirinhos carregamos na viagem,etc etc etc etc etc,a lourinha chatinha com cara de frígida do passport control deixou a gente entrar no seu tão estimado país.
Ganhamos de presente de Martine um cartão de transporte para os três dias da nossa estadia (fofa!),papeamos um pouco enquanto comíamos chocolate e tomávamos sol no telhado do prédio,e resolvemos fazer logo o passeio de barco pelos canais nesse primeiro dia,já que estava tão ensolarado,quente e lindo. Foi uma decisão sábia,porque nos outros dias choveu e fez frio. Fora o fato de Fofi ter cochilado no fim do passeio,foi massa (sabe como é criança pequena,fica tontinha em passeio de barco no sol,haha). Depois de quase duas horas de passeio de barco,andamos um pouco pelo centro,e voltamos pra casa porque ia ter jantarzinho com a família.
Um detalhe sobre o apartamento de Quint:o lavabo é a coisa mais fashion da face da terra,e me arrependo amargamente de não ter tirado uma foto. Só digo a vocês que o teto do banheiro tem uma daquelas bolas de discoteca,no lugar do espelho tem uma moldura com foto de uma pin-up,e as paredes são pintadas de preto. Um luxo!
Para o jantar,Quint fez uma massa super delícia,tinha um pão ainda mais delícia,e Ariadne também estava lá com seu filhinho lindo,Boris. Uma graça! Todo espertinho e todo entusiasmado com as visitas. Nesse dia eu estava morrendo de dor na coluna (que começou em Oslo,pós correria com malas pra não perder o vôo pra Londres);acabei tendo que me render ao antiflamatório,eu que detesto remédios. Quint me deu o danadinho,que era uma pílula cor de ROSA SHOCK,parecendo um M&M. Boris viu e queria uma também,é claro. Quint explicou que era remédio,que eu estava com dor na coluna;Boris,prontamente,colocou a mão na coluna e começou a choramingar dizendo que também estava morrendo de dor. Imagine a cena.
Terminado o jantar,tomamos um expresso delicioso preparado por Quint. Resultado:não consegui dormir direito a noite inteira,em partes por causa da dor,em partes por causa da cafeína. O que a idade não faz,né,minha gente? Antes não tinha cafeína que me tirasse o sono. Humph…
No dia seguinte fomos ao Museu Van Gogh,e aprendemos que se você disser o Gogh com som de G eles não entendem. Ficam perguntando “onde? vc quer ir onde?”até se darem conta que se trata,na língua deles,do Museu Van ROOOORRRRR —essa é a minha tentativa de representação fonética do som que me parece sempre meio catarral.
O museu tem realmente tudo que se quer ver da obra do homem decepador de orelha,mas sempre tá muito cheio. Fica chato de ver as obras às vezes,porque é gente demais,gente que para na frente do quadro e fica lá,sem dar espaço pra mais ninguém. Mas foi ótimo,claro. A gente se questionou um pouco sobre como um artista passa a ser famoso,ou “de valor”,e em algum momento da visita criei a teoria (sem embasamento algum) de que na verdade Van Gogh fingiu a morte dele,o irmão foi e fingiu a própria morte também,e a esposa do irmão criou uma estorinha pra tornar o cunhado famoso pós morte e todos usufruíram escondidos do dinheiro que a obra póstuma passou a render. Hehehehe,eu curto Van Gogh,não me entendam mal;mas precisávamos de uma estorinha pra apimentar a visita.
Amsterdam tem muitos imigrantes vindos da Indonésia. Então fiquei o tempo todo falando com Fofi que devíamos ir num restaurante com comida da Indonésia,e fomos pra casa com a intencão de perguntar a Quint qual seria o melhor,de repente tinha algum perto de casa onde pudéssemos todos ir jantar. Qual não foi a nossa supresa quando chegamos em casa e encontramos Quint e Martine preparando receitas típicas da Indonésia para o nosso jantar! Ter primo que gosta de cozinhar não tem preço!
Durante o jantar começamos a fazer planos para a nossa última manhã em Amsterdam. À tarde Tio Paulo ia buscar a gente pra ir pra Tilburg,onde ficaríamos dois dias. Perguntamos a Quint o que seria legal de fazer em Amsterdam num dia de chuva,que não fose museu —a propósito,parece que Amsterdam tem um museu para cada 7 cidadãos;nunca vimos tanto museu numa cidade só,e uma cidade pequena,ainda por cima. Anyway…Quint ficou a noite toda tentando achar alguma coisa pra gente fazer numa manhã de chuva,que não fosse museu. Mas acabou sugerindo um museu mesmo,mas acabou sendo MUITO legal:um museu de fotografia.
Fomos ao museu,passamos por uma feirinha,e voltamos pra casa. Comemos umas coisinhas que compramos na loja do turco,conversamos um pouquinho,e partimos com Tio Paulo rumo a Tilburg. Demos uma paradinha em alguma outra cidade no caminho,pra dar um alô a Léa,que estava de babá dos netos,e continuamos até a casa de Tio Paulo. Eu e Márcia dormimos a viagem inteira,é bom deixar claro. Estávamos realmente muito cansadas,e Tilburg seria nosso primeiro período de descanso desde que essa viagem começou. Só em Tilburg minha coluna começou a melhorar um pouquinho,graças a Léa e Fofi.
Fomos recebidas com uma sopa super delícia que Léa já tinha deixado preparada pra gente. Conversamos sobre coisas de família,assistimos tv holandesa,e cedo fomos dormir. Quando acordamos no outro dia Léa já estava lá preparando nosso café,toda fofa.
E fomos bater perna na rua! Passear na feira,fazer compras de turista. Márcia procurou a morrer alguma roupa que coubesse nela,só tinha G e GG;aparentemente não existe gente pequena na Holanda. Olhamos muitos sapatos lindos e caros (Léa ama sapatos),comprei uma bota não-cara (que foi uma das minhas melhores compras da viagem toda),e no final da tarde fomos a um bar encontrar uns amigos de Léa e Paulo,com direito a cachorro (sim,cachorro) bebendo cerveja (sim,cerveja) no bar —eu,embora não seja cachorra,tomei cerveja com xarope de framboesa. Pois é,sou dessas. E Fofi,que é Fofi,tomou ginger beer pela primeira vez.
Jantar:comida chinesa. Sobremesa delícia de Léa:morangos fatiados,salpicados de acúcar de confeiteiro,e cobertos com chantilly. Vimos fotos de família. Assistimos televisão em holandês.
No dia de ir embora,o sol tava lindo,mesmo estando ainda um pouco frio. Tomamos sol no quintal,mesmo cheia de casacos. Passeamos na beira dum lago,brincando com os cisnes (ok,não lembramos se eram patos ou cisnes). Voltamos para casa para almoçar,tentar fechar a mala de Fofi (que desde Oslo fecha tranquilamente),e fomos em direção a Rotterdam esperar o trem para Paris.
(tô ligada que ‘cês querem ver fotos…AQUI!)
PARIS
Chegamos de noite,depois de ficar meio perdidas procurando a rua. Procurar rua em Paris é sempre um esquema bruto. Fofi foi apresentada a esse casal todo lindo que se chamam de Baby:Diego Damasceno e Andréa Lemos. Chegamos subornando os dois com uns Toblerones gigantes,assim eles nos amariam até a eternidade! Fizemos planos para o dia seguinte,pegamos instruções e dicas com o belo casal. Falamos muito sobre Salvador,a cidade que todos amamos e odiamos em igual proporção.
Pela manhã ficamos pelo bairro mesmo. Subimos Montmartre,o “Pelourinho”de Paris (até capoeiristas tinha). Fomos na Sacre Coeur. Fofi entrou na igreja maravilhada,achando tudo lindo,mas aí disse “poxa,é linda essa igreja,mas é meio escuro aqui dentro,né?”. Eu,com muita calma:“Ajudaria se você tirasse os óculos escuros,Fofi”. Rimos. Rimos. Rimos. E toda vez que lembro disso eu me acabo de rir. Comemos crepe. Passeamos por Pigalle (ai,como eu tô bandidaaaaa). Entramos em várias farmácias à procura do meu desodorante favorito —é bom lembrar que em Paris há tantas farmácias quanto em Amsterdam há museus,ou seja,uma em cada esquina. Fofi ficou maravilhada com a imensidão de produtos de beleza vendidos nas farmácias. Depois fomos tentar comprar os bilhetes do metrô,sem saber ainda exatamente qual seria a melhor opção,se era comprar os carnês ou comprar o cartão. Na primeira tentativa,demos de cara com aquele doce estereótipo francês:aquela “delicadeza” RUDE. Gentilmente,perguntei se ela falava inglês,ela disse que “sim,claro”que (com cara feia,mas disse). Aí falo duas frases em inglês e a criatura naquele tom super “delicado”,grita “se você não falar em francês,eu não vou te responder”. Pois é. Falei no meu francês aprendiz,ela continuou na delicadeza,aí resolvemos voltar pra comprar no outro dia com alguém menos rude…mas claro,mesmo estando em OUTRA estação (cerca de 5 ou 6 estações depois dessa primeira) quem está no balcão no dia seguinte? Pois é,a mesma megera.
Antes de continuar devo lembrar (como falei bem no comecinho) que essse post meio que demorou assim de sair porque o plano era escrever de verdade o post em Paris,e ir postando aos poucos,inclusive as fotos. Mas na nossa primeira manhã em Paris,o carregador do computador quebrou,me retei,resolvi não me estressar,e desisti da vida online por 10 dias (quer dizer,mais ou menos). Assim,embora essa cidade tenha nos proporcionado tantos LINDOS momentos —diria que foi o highlight da viagem,por tantos motivos —não conseguimos lembrar a ordem dos passeios,nem grandes detalhes,e na verdade acho que não conseguimos nem lembrar de alguns passeios (e não,não tivemos amnésia alcóolica em Paris,só em Londres). Então a resenha de Paris vai ficar assim,tipo brainstorm mesmo. Não suporto mais segurar esse post,tenho que fechar essa gestalt:
Flowers by Kenzo no Canal Saint Martin. Guloseimas no chinês em Belleville. Carregando computador na casa de Nelsinho. Cervejinha em Pigalle com Diego e Dea,Fernanda e Antoine. Notre Dame. Instituto do Mundo Árabe,coisa mais linda do mundo. Cafeotheque (recomendo muito passar uma tarde lá,mas confesso que numa tarde tive taquicardia de tanto tomar café). Les Marais. Feriado da Ascenção (?). Champs Elisee. Museu do Homem. Muita gente,muito sol,crianças brincando dentro da fonte. Torre Eiffel. Superhomem (sim,havia um carinha com camisa de Superhomen passeando na área da Torre,tive certeza que Louis Laine estava prestes a despencar do elevador). Tarde na grama Eiffel. Pompidou. Sorvete italiano,de pistachio. Lojas Tatty! La Villete! O museu fedorento em La Villete. Parc des Buttes Chaumont com Luc e o filhinho Darth Vader. Instalação de Anish Kappoor. Macarrons. O falafel de Lenny Kravitz (ui!). Casa de chás. Museu de fotografia (por acidente) —meio perdidas,achamos o lugar,excelente exposição,faces com braile. Louvre. Visita a Mimi e Bertrand e o baby com mini havaianas. Piquenique com Dea e Diego no Parc de Bercy. Biblioteca Nacional. Moqueca (com camarão francês,coentro congelado,limão siciliano,arroz tailandês,farinha do Togo–ahhhhhh,a globalização…). Jam Session na Mirroiterrie,chuva,e coisas que não se pode falar que aconteceram na volta no metrô,haha. Padaria para comprar guloseimas. Café da manhã na casa de Sylvie. Lágrimas de Oudjat.
E esse foi mais ou menos nosso roteiro parisiense! Roteiro com texto ruim e sem ordem alguma,eu sei. Mas o que tenho para falar de Paris transcende a descrição do roteiro de viagem. Preciso dizer que tenho uma grande paixão pela cidade,que pra mim sempre vai ter a marca de uma paixão. Ou de duas. Ou de outras. Tenho paixão por ver casais apaixonados,se beijando a qualquer hora,qualquer lugar,qualquer raça. Paixão e inveja,pois fico doida pra beijar também!:) Tenho paixão pelas muitas raças nas ruas. Pelas africanas com suas lindas estampas,seus turbantes,seus filhos amarrados nas costas. Pelos árabes (ha!). Pelos parques e museus,pela dinâmica da vida cotidiana que transpira criatividade e arte. Pela decoração quase caseira dos bares. Pela sensação caseira dos bares. Pelas feiras de rua,suas muitas cores e cheiros. Pela ambígua sensação de que pertenço e não pertenço àquele lugar,e a sensação tranquilizadora de que o não-pertencer não me incomoda,não me exaspera. Mas,acima de tudo,o que me faz gostar tanto de estar em Paris é a paixão pelas amizades queridas que lá fiz,ao longo dos anos. Paixão e amor. E saí de lá com a sensação muito feliz de ter feito mais duas lindas amizades. E,só por isso,valeu a viagem toda,babies…
Au Revoir,Mon Amour!
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p.s.:Cara reforma ortográfica,me perdoe mas não te dei nem um pingo de atenção. Ponto de exclamação.
p.s. 2:Dica:cuidado com os vôos low budget. O avião para Oslo parecia a Marinete de Tieta do Agreste;assentos sujos,cheirava a pum o tempo todo,e o número do nosso assento nem mesmo existia. Às vezes vale a pena pagar um pouquinho mais,porque no fundo eles cobram barato mas tudo tudo acaba sendo taxa extra (da bagagem à escolha do assento).





